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A tecnologia digital deixou os fotógrafos preguiçosos?

Escrito por Eliane Terrataca | Postado em Artigos | No dia 15-04-2009

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Hoje resolvi ouvir novamente uma entrevista que fiz com um dos fotógrafos que estão coloborando com o meu trabalho de conclusão da faculdade (aproveito para dizer que é exatamente pelo TCC que ando sem tempo para atualizar o blog como gostaria). Eu havia esquecido que ele tocou nesse assunto da era digital na fotografia.

Paulo Pinto é um fotojornalista esportivo, muito simpático, que não possui preconceito algum com equipamentos. Ele mesmo trabalha com câmeras digitais, porque precisa transmitir imagens de maneira rápida. Ele conta que depois que essa facilidade digital entrou na profissão muitos fotógrafos ficaram acomodados. Principalmente no meio esportivo, onde a maioria simplesmente dispara o obturador, faz centenas de fotos e depois só se dá o trabalho de escolher as melhores imagens. Não existe mais aquele feeling de esperar pelo momento certo.

Uma coisa muito legal que destaca também é a diferença dos profissionais que migraram de tecnologia para aqueles que já iniciaram a carreira no meio digital. Conhecer as técnicas que as câmeras analógicas exigem é um grande diferencial na hora de realizar um bom trabalho. Paulo Pinto não faz boas fotos só porque tem um bom equipamento, mas sim porque sabe pensar uma imagem e fazer os ajustes necessários para capturar o momento da melhor maneira possível.

É fácil de entender o que ele quer dizer quando conta sobre um dos muitos dias que foi cobrir um jogo de futebol. O autofocus da câmera dele pifou, mas nada como o modo manual para resolver o problema. Ele compara esse momento como quando, em um outro jogo, um colega de trabalho sofreu o mesmo problema e a opção do fotógrafo foi encostar o equipamento e passar o jogo inteiro sem fazer foto alguma, só assistindo, porque o autofocus não estava funcionando.

Chega até ser engraçado, mas senti vergonha por esse fotógrafo (que nem faço idéia de quem seja) que desistiu do seu trabalho quando a câmera teve um probleminha rídiculo assim. Isso me fez questionar: afinal quem é que trabalha, o fotógrafo ou a máquina? Acho que neste caso o fotógrafo só servia para pressionar botões… (vergonhoso!)

Concordo que a tecnologia digital acomoda. A maioria dos fotógrafos acaba fazendo apenas o que a câmera quer. E isso me faz lembrar o livro Filosofia da Caixa Preta (muito bom por sinal) que discute este assunto quando destaca as máquinas fotográficas como instrumentos que capazes de “arrancar objetos da natureza para aproximá-los do homem”, acrescentando que esses intrumentos funcionavam em função do homem, mas agora é o homem que vive em função deles.

Essa é a diferença entre um fotógrafo profissional apaixonado e um amador: o primeiro gosta de se arriscar, já o outro prefere viver no automático. Já conheci alguns escravos que fazem tudo exatamente como a câmera sugere e o que vi foi sempre imagens até bonitas, mas sem feeling… sem a verdadeira vontade em apresentar ao receptor uma imagem muito melhor que ele espera ver. Pra mim uma boa foto pra mim é isso… uma foto que surpreende!

Afinal, fazer fotos no automático até um macaco treinado faz (e como disse um outro fotógrafo, que também entrevistei, “pra fazer uma foto desfocada hoje em dia o cara precisa ser bom pra caralho”). Mas suar frio e escolher o momento decisivo com os ajustes certos, para só então fazer o clique, é muito mais complexo e cansativo (por isso os preguiçosos escolhem o caminho mais fácil).

É só uma opinião, quem discordar disso tudo (ou concordar) pode comentar que ficarei feliz em ler!

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