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Por que a fotografia?

Escrito por Eliane Terrataca | Postado em: Artigos | No dia 15-05-2009

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Texto de Armando Vernaglia Jr.

Afinal, por que você fotografa? A pergunta que dá título a este artigo normalmente não é cogitada por muitos daqueles que elegem a fotografia como seu trabalho ou hobby, mas talvez seja pertinente perguntar.

Em busca de uma resposta para essa questão, passei a questionar a mim mesmo e a meus alunos, amigos, fotógrafos profissionais e amadores sobre os motivos que levaram cada um a ter, nessas imagens estáticas e bidimensionais, impressas em papel ou apresentadas numa tela, sua maneira de expressar ideias, momentos, fatos, angústias, alegrias e inquietações.

Flauta transversal

por Eliane Terrataca

Recebi todo tipo de resposta. Uns não escolheram, na verdade foram escolhidos, e, quando perceberam, já haviam sido contaminados pelo vírus fotográfico e não conseguiam mais parar. Outros tinham inquietações sociais, desejavam mostrar ao mundo algo que eles viam e que os incomodava profundamente. Alguns pretendiam dividir suas alegrias com pessoas que não puderam presenciar os mesmos momentos: o casamento, o nascimento do primeiro filho, a viagem inesquecível, a festa com os amigos e por aí vai.

Os motivos formam uma lista infindável de situações pessoais e universais; afinal, felicidade, angústia, tristeza, saudade e tantos outros sentimentos são vividos individualmente, mas compartilhados de alguma forma por todos nós.

É nessa relação entre nosso íntimo e o coletivo que talvez resida o segredo da fotografia, pois, quando vivemos um momento único e o registramos, colocamos nosso íntimo numa imagem, algo que dispensa palavras para ser humano, não importa a língua falada, o país em que vivemos ou qualquer outra barreira imposta por fronteiras e costumes. Uma imagem tem poder de síntese, de traduzir-se em qualquer língua e contar histórias. Assim, passamos adiante algo que é nosso para o mundo; podemos expressar o que vemos e sentimos de forma absolutamente livre.

Um grande amigo e excelente fotógrafo disse: “Fotografo porque escrevo muito mal”. Na verdade, ele escreve bem, porém talvez não tenha notado que seria impossível escrever em todas as línguas do mundo para poder mostrar a todos aquilo que pensa, mas, com suas fotos, ele pode deixar fluir a criatividade e se expressar sem precisar de tradutores.

Acredito que o denominador comum entre todas as respostas que ouvi para minha pergunta seja o fato de que fotografamos para contar histórias, para dizer algo ao mundo, algo que pensamos, imaginamos, presenciamos ou sentimos, e que, na fotografia, temos liberdade plena para tornar tudo visível.

Lembre-se disso em suas próximas fotos, divida com o mundo aquilo que só você vê, pensa e sente.

Armando Vernaglia Junior é fotógrafo publicitário, palestrante e professor de fotografia na escola Riguardare, em São Paulo.

Fonte: Revista Fotógraphos / Nº 12

Os mistérios da fotografia – Boris Kossoy

Escrito por Eliane Terrataca | Postado em: Artigos, História/Filosofia | No dia 09-05-2009

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Não dá pra pensar em refletir a respeito da fotografia sem lembrar do grande ‘filósofo da imagem’ Boris Kossoy. Revendo algumas coisas que tenho aqui guardadas encontrei uma edição da revista Continuum (uma excelente publicação!) que foi dedicada especialmente à fotografia – todo mês eles definem um tema diferente. Na edição de agosto de 2008 foi publicada uma entrevista que Boris Kossoy deu especialmente à revista.

kossoy_maestro

É sempre muito bom acompanhar as ideias de Kossoy para abrir nossos horizontes do conhecimento fotográfico. Afinal, a fotografia não é apenas uma imagem registrada! Achei muito legal a entrevista e, por isso, vou compartilhá-la com vocês. A leitura é um pouco longa, mas vale muito a pena. Confira, no texto de Mariana Lacerda.

Toda imagem fotográfica guarda uma, duas, três… inúmeras narrativas. Esse é o pensamento que permeia toda a obra de Boris Kossoy, paulista, fotógrafo, professor, cientista social e pioneiro ao traçar uma história para a fotografia brasileira. É dele, por exemplo, o célebre livro Hercule Florence: a Descoberta Isolada da Fotografia no Brasil (Edusp, 3ª edição em 2007), onde conta outra versão para a história da invenção do daguerreótipo – a primeira técnica para “impressão da luz”, anunciada na França, em 1839, e atribuída ao francês Louis Daguerre. Também assina o Dicionário Histórico-Fotográfico Brasileiro: Fotógrafos e Ofício da Fotografia no Brasil 1833-1910 (Instituto Moreira Salles, 2002). Com mais de 40 anos de trajetória profissional, Kossoy esteve à frente de curadorias e hoje é membro do conselho da coleção Pirelli-Masp de fotografia. Seu portfólio inclui imagens nas coleções permanentes do Museu de Arte Moderna, em Nova York, e na Biblioteca Nacional de Paris. Ao longo do tempo, contudo, um único sentimento atravessa todas as suas realizações: a opção pelo fantástico existente em imagens que retratam gestos simples, como uma foto de família e um olhar contido nela.

Paralelo à sua trajetória de historiador da fotografia, existe um trabalho de fotógrafo. O que veio antes?

Antes da fotografia veio o olhar de criança. Uma das fotos da minha última exposição [na Pinacoteca de São Paulo, em 2007, na qual Boris Kossoy refez os seus 40 anos de percurso pela fotografia] era a de um mato capoeira. Percebi que em muitas fotos minhas aparece aquele matinho sujo, assim como surge também a imagem do meu alter ego − que é o doutor Américo, aquele senhor pequenininho. Acho que são exemplos da persistência do olhar. Ou seja, um olhar carregado daquilo que vai sendo colocado dentro do caleidoscópio, esse que a gente carrega em cima do pescoço. Essas imagens vão se fundindo e se repetindo ao longo de minha vida.

E como passam a ganhar significado?

A imagem é diabolicamente divina. Essa é uma conclusão extra-religiosa que faço em relação à fotografia. Porque ela tem um significado para um, e revela algo diferente para outro. Além dos significados que tiveram para o próprio autor da imagem. Toda fotografia é um mundo à parte, que eu chamo de “mundos paralelos”. Esse foi o nome de uma exposição que fiz em 1998 na Bienal de Fotografia de Curitiba, em que dei uma volta para retornar à infância. Aquele matinho, por exemplo, era o olhar das primeiras imagens de que me lembro. Descobri isso muito tempo depois de fotografá-lo em situações distintas. Como também descobri uma cadeia de outros temas que têm relação com meu olhar de criança.

A tecnologia digital deixou os fotógrafos preguiçosos?

Escrito por Eliane Terrataca | Postado em: Artigos | No dia 15-04-2009

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Hoje resolvi ouvir novamente uma entrevista que fiz com um dos fotógrafos que estão coloborando com o meu trabalho de conclusão da faculdade (aproveito para dizer que é exatamente pelo TCC que ando sem tempo para atualizar o blog como gostaria). Eu havia esquecido que ele tocou nesse assunto da era digital na fotografia.

Paulo Pinto é um fotojornalista esportivo, muito simpático, que não possui preconceito algum com equipamentos. Ele mesmo trabalha com câmeras digitais, porque precisa transmitir imagens de maneira rápida. Ele conta que depois que essa facilidade digital entrou na profissão muitos fotógrafos ficaram acomodados. Principalmente no meio esportivo, onde a maioria simplesmente dispara o obturador, faz centenas de fotos e depois só se dá o trabalho de escolher as melhores imagens. Não existe mais aquele feeling de esperar pelo momento certo.

Uma coisa muito legal que destaca também é a diferença dos profissionais que migraram de tecnologia para aqueles que já iniciaram a carreira no meio digital. Conhecer as técnicas que as câmeras analógicas exigem é um grande diferencial na hora de realizar um bom trabalho. Paulo Pinto não faz boas fotos só porque tem um bom equipamento, mas sim porque sabe pensar uma imagem e fazer os ajustes necessários para capturar o momento da melhor maneira possível.

Imprima suas fotos para não perdê-las

Escrito por Eliane Terrataca | Postado em: Artigos | No dia 20-01-2009

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Encontrei um artigo bem legal e um dos livros que comprei recentemente. Aí resolvi compartilhar com vocês.

Boa leitura! :)

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Randy Olson adora a nova tecnologia digital. Sua impressora Epson 7800 fica em cima da antiga Iris 3042 no escritório que tem em casa. Um armário está cheio de servidores tão potentes que ele jura que as luzes da rua enfraquecem quando ele os liga. Olson conserva seus arquivos RAW e faz todas as mudanças em camadas com seu software de edição de imagens e as guarda com todo cuidado em arquivos novinhos em folha.

Mesmo depois de aprender as tecnologias mais modernas, Olson não se esquece do conselho de Henry Wilhelm, um dos gurus da fotografia, sobre arquivamento: “Se você salvar suas imagens como 1s e Os, precisará de algo para ler esses números”. Como ele guardou sua tese universitária em um disquete Apple, hoje ultrapassado, chegou à conclusão de que uma cópia em papel bem-feita é sempre a melhor solução.

randy-olson-foto

Olson também usa as cópias em papel para editar seu trabalho. “No papel, a gente enxerga coisas que não consegue ver no monitor”, garante. “Seu olho pode ser enganado pela fonte de luz que vem de trás da imagem na tela, diferentemente da luz que se reflete na cópia em papel”. Às vezes, ele faz quase 100 cópias impressas antes de editar uma reportagem para a revista National Geographic.

A atenção aos detalhes e o respeito profundo pelas pessoas que fotografa, Olson foi o primeiro e único a receber ambos os prêmios de Fotógrafo de Jornal do Ano (1992) e Fotógrafo da Revista do Ano (2004) conferidos pelo concurso University of Missouri Pictures of The Year (EUA). Realizou reportagens fotográficas em locais como Sudão, Turquia, Tailândia, Ártico siberiano, Austrália e Congo. Recebeu o prêmio Robert F. Kennedy por um documentário sobre moradias populares e também é um dos criadores da série de livros Day in the Life, que retratam a vida em diversos lugares do mundo.

Enquanto planeja fazer um upgrade paraos discos Blu-Ray de 200 gigabytes, Olson está intrigado com as fotogravuras criadas por Edward Curtis no início do século 20. “Até hoje, dá para tirar cópias delas”, reflete.

Veja o trabalho de Olson em www.olsonfarlow.com
Fonte: Guia Completo de Fotografia

Artigo: Como guardar minha imagem digital

Escrito por Eliane Terrataca | Postado em: Artigos | No dia 01-10-2008

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Artigo bem legal do Professor de Fotografia e Coordenador do Curso Superior de Fotografia da UCS – Germano Schüür. Vale à pena ler! Espero que gostem! :)

Foto de Eric Hamilton

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Como guardar minha imagem digital

Digital veio para ficar. Mudou conceitos, mudou comportamentos e produziu uma epidemia de imagens virtuais, inimaginável há cinco anos para a melhor das previsões otimistas sobre o assunto.

Então nos parece que os acontecimentos, as pessoas e as paisagens dos tempos atuais ficarão excepcionalmente documentados através da fantástica tecnologia da fotografia digital.

Infelizmente, tudo indica que não é bem assim. Estudos recentes realizados nos Estados Unidos indicam que menos de 5% das imagens obtidas em câmaras digitais se transformam em imagens reais impressas em papel fotográfico que, entre outras qualidades, duram até mais de cem anos. As restantes, ou são descartadas ou armazenadas em HDs, CDs, DVDs, cartões, disquetes ou outras mídias e tecnologias de momento que não garantem confiabilidade, continuidade e sobrevida por muito tempo.

Uma imagem virtual armazenada tem uma capacidade incrível de compor-se e decompor-se em cada necessidade de sua utilização visual. Há um certo consenso em dizer que o virtual é o estado do “vir a ser” e não o que já existe. Ou seja, o virtual é a pré-existência do real. Com o descompromisso na sua obtenção e da própria vulgarização da imagem digital, o termo virtual está adquirindo, também, o sentido de efêmero e descartável.

Meu conselho, valorize sua criação e suas recordações. Que suas fotos não sejam efêmeras e descartáveis. Guarde suas melhores imagens na mídia de sua preferência e tenha a preocupação de transferi-las, de tempos em tempos, para as de tecnologias mais recentes. Entretanto, não deixe de reproduzi-las logo em papel fotográfico de boa qualidade, que ainda é a forma mais inteligente, eficiente, garantida e prática na armazenagem e visualização de suas imagens preferidas.