Fotojornalismo ocidental brasileiro
Escrito por Eliane Terrataca | Postado em História/Filosofia | No dia 10-02-2010
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Com base no livro A Imprensa na História do Brasil: Fotojornalismo no Século XX, de Munteal Filho, fiz um pequeno histórico dando destaque a alguns pontos importantes ligados à história do fotojornalismo brasileiro. Antes de tudo vale lembrar que a fotografia, no inÃcio da sua existência, era utilizada basicamente como um suporte da memória. Não é possÃvel identificar o momento exato em que a ela passou a ser utilizada como meio jornalÃstico, porque a trajetória do fotojornalismo se confunde com a da fotografia.
As imagens fotográficas passaram a ser utilizadas em veÃculos jornalÃsticos brasileiros por volta dos anos 1900, mas ainda não eram produzidas reportagens fotográficas. O que ocorria era o uso da fotografia com o intuito de traduzir em imagens um acontecimento, uma preocupação com a leitura da imagem em si. O que marcou o nascimento do fotojornalismo foi a realização de reportagens de guerra, que provocou uma mudança significativa na relação do público com a notÃcia, que acabou ganhando valorização pela imagem.

Foi na virada do século XIX para o século XX que o fotojornalismo ganhou força através da modernização da imprensa – tipografia; renovação de parques gráficos; introdução de cores; aparecimento de temas polÃticos, esportivos e policiais; preocupação maior com a informação e separação de conteúdo. A partir daà o fotojornalismo foi ganhando importância e ocupando, cada vez mais, as produções jornalÃsticas.
Anos 1910
A fotografia documental ganhou destaque com seu significado polÃtico e social, através de Augusto Malta (considerado o primeiro fotojornalista brasileiro), que ficou conhecido como o mais expressivo cronista visual do Rio de Janeiro na primeira metade do século XX, ao fotografar cenas do carnaval carioca. Ele foi o primeiro fotógrafo a ter uma visão jornalÃstica dos acontecimentos. Essa década também se destacou pela grande produção de fotografias e formação de equipes de fotógrafos mobilizados a registrar a Primeira Guerra Mundial, entretanto as imagens eram encenadas, já que os equipamentos eram numerosos e pesados, não permitindo a espontaneidade.

Anos 1920
Empresas de fotografia (Leica e Ermanox) investiram em tecnologia e proporcionaram a criação de equipamentos que permitissem maior mobilidade aos fotógrafos, além de possibilitar a realização de poses mais naturais e instantâneas. O reflexo disso na imprensa foi imensa, já que, agora, produzir uma boa imagem jornalÃstica passaria a depender exclusivamente da habilidade e da sensibilidade do repórter fotográfico. A imagem começou a ganhar maior importância com relação ao texto; a produção jornalÃstica deixou de ser informação verbal ilustrada passando à informação visual auxiliada por texto. A década de 1920 pode ser considerada um dos marcos da fotorreportagem no Brasil. Seria a partir daà que a fotografia jornalÃstica teria um novo papel nos veÃculos de informação, e a utilização da retogravura iria permitir uma melhor reprodução das imagens.
Anos 1930
A fotografia passou a ser utilizada em grande formato e ganhou mais velocidade na sua transmissão (telefoto). O marco principal do fotojornalismo, mais uma vez, estava relacionado à guerra e proporcionou a Robert Capa a captação da sua fotografia mais famosa, a morte de um soldado republicano (que recentemente foi descoberta como sendo uma fraude). A primeira guerra a ser amplamente fotografada foi a Guerra Civil Espanhola, que se iniciou em 1936.

Anos 1940
Nos anos 1940 se verifica uma maior importância do fotógrafo, que passaria a assinar suas fotos. Essa década também ficou marcada pela crescente qualidade dos equipamentos de captação e transmissão de imagens, pela busca dos fotógrafos em captar imagens em ângulos diferenciados e pela participação dos fotojornalistas brasileiros no trabalho de registro da Segunda Guerra Mundial, como por exemplo Joel Silveira – enviado para a frente de batalha por Assis Chateaubriand. Também não podemos esquecer que foi no perÃodo que se seguiu à Segunda Guerra que o fotojornalismo foi reforçado com a criação de várias agências fotográficas, especializadas na fotografia “de autor”. A mais influente delas foi a Magnum.
Anos 1950
Foi nessa época que a fotorreportagem, antes divulgada apenas em revistas semanais, ganhou força ao conquistar as páginas dos jornais (o jornal Última Hora foi o primeiro a publicar uma fotorreportagem), lembrando também que foi nos anos 1950 que a objetividade defendida no texto atingiu a imagem. A adequação pela qual passaria a imprensa brasileira consistia em adotar formatos que inserissem o jornalismo na modernidade, traduzida na busca de técnicas que levassem o leitor a acreditar na notÃcia como verdade em si, e daà a importância da fotografia. Os jornais mais importantes nesse processo de reformas foram justamente os que apoiavam seu discurso no fotojornalismo, na apropriação do mito da verdade fotográfica. Outro momento interessante se deu em 1957, quando o Jornal do Brasil mudou as capas dos jornais, antes reservadas apenas a anúncios, publicando fotografias na primeira página.
Anos 1960
No Brasil a ditadura dificultava a ação dos jornalistas, controlando e censurando a imprensa, principalmente com a instituição do AI-5, em 1968. Muitas vezes o gancho da matéria era a fotografia. Os acontecimentos diários eram registrados em lances e sequências, valorizavam-se os detalhes, o lado humano e os problemas urbanos, evitando-se a publicação de fotos sensacionalistas violentas e chocantes. A década de 1960 ficou marcada pela criação, de Alberto Dines, da editoria de fotografia no jornalismo e pela realização do primeiro Prêmio Esso de fotografia, em 1962.

Anos 1970
Época marcada pelo crescimento da televisão no Brasil. Fez com que o fotojornalismo buscasse formas de atrair o leitor para as mesmas imagens que já eram divulgadas nos telejornais, os profissionais se viram forçados a buscar formas de sintetizar toda a informação/história em imagens estáticas. Outro ponto interessante é que, ainda sofrendo com a censura da ditadura, a imprensa viu no fotojornalismo uma maneira de divulgar os fatos que eram perdidos nos textos mutilados pela censura. Mas a importância da fotografia nas páginas dos jornais crescia, muitas vezes passando-se a utilizá-la como uma forma de mostrar aquilo que o texto não podia por conta da censura. Ainda nessa década, seriam criadas as bases do fotojornalismo independente. Isso demonstrava que, mais do que a produção de imagens informativas para a grande mÃdia, era fundamental se pensar nas imagens criadas a partir de uma tomada de posição por parte desses fotógrafos.
Anos 1980
O fim da ditadura permitiu que muitos periódicos ganhassem força e voltassem a produzir informações com mais tranquilidade. A década de 1980 ficou marcada pelo surgimento dos manuais de redação para sistematizar as ações do jornalismo e, no final da década, pelo nascimento do sistema digital de captação e transmissão de imagens. Uma das primeiras câmeras fotográficas digitais próprias para o fotojornalismo, a Fujix, foi fabricada pela Fujifilm, no Japão, em 1989, com capacidade para 21 fotos.

Anos 1990 em diante
Desde os anos 1990, o fotojornalismo vem sofrendo transformações proporcionadas pela tecnologia digital, as principais a serem destacadas é a difusão da internet e dos equipamentos digitais que possibilitou a transmissão on-line de textos e imagens. A primeira experiência de cobertura de um grande evento de fotojornalistas brasileiros (da Folha de S. Paulo) equipados com câmeras digitais se deu na Copa do Mundo de futebol de 1998. A praticidade e agilidade proporcionadas pelas câmeras digitais foram – e são – a maiores razões para que os veÃculos de comunicação adotem a tecnologia, especialmente em uma época em que tudo deve ser instantâneo. Uma questão importante também é a de que técnicas e conceitos do fotojornalismo estão tendo de se adaptar à nova forma de fotografar e, principalmente, ao surgimento das fotos feitas por amadores, que vêm sendo utilizadas pelos jornais.




