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O pai do fotojornalismo brasileiro

Escrito por Eliane Terrataca | Postado em História/Filosofia | No dia 21-08-2009

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Hoje vou postar um texto que escrevi para o meu trabalho de conclusão da faculdade, sobre o fotógrafo que realizou um trabalho documental que o fez ser considerado o pai do fotojornalismo brasileiro… No fim você poderá ver algumas das fotos clicadas por ele. Boa leitura! :)

Militão Augusto de Azevedo nasceu na então capital imperial brasileira, em 1837, Rio de Janeiro, e por lá se sustentava como ator e iniciava sua atividade fotográfica. Mudou-se para São Paulo aos 25 anos de idade, onde viveria até falecer no ano de 1905. Foi seu trabalho como ator que o levou a São Paulo, quando a Companhia Dramática Nacional se estabeleceu na cidade para uma temporada; mas foi o cenário urbano que o fez permanecer e realizar seus trabalhos fotográficos, inspirado pelo cenário urbano e pelas diversas etnias que ali habitavam.

Enquanto outros fotógrafos preocupavam-se em produzir retratos, Militão preferiu tomar a paisagem urbana como principal objeto dos seus registros. Um dos seus trabalhos mais importantes como fotógrafo foi o registro das paisagens em 1862, que foram utilizadas posteriormente no Álbum Comparativo de Vistas da Cidade de São Paulo, um dos documentos mais importantes que existem sobre a cidade do século XIX, pois registra as localidades e suas mudanças urbanas entre os anos de 1862 e 1887.

Seu valor como fotógrafo vem do seu trabalho comprovadamente vasto e documental, são 12.500 retratos produzidas durante seus 25 anos de carreira. Sua visão para fotografar era diferente da de outros profissionais da época, os retratos de Militão “(…) denotam a visão crítica de um fotógrafo que vai além do simples ato repetitivo de operador da câmera, ao retratar os mais diferentes tipos humanos de uma sociedade em formação e constituem um documentário único da paisagem urbana de São Paulo da época” (KOSSY, 1978, p.12).

Com seus retratos Militão procurava fugir da construção simbólica e registrava seus personagens (os mais variados da sociedade – estudantes, padres, soldados, músicos, políticos, escravos etc.) em situações cotidianas.

Em 1875 criou seu estúdio fotográfico Photographia Americana, o qual atendia clientes de diversas classes sociais (desde figuras ilustres como Dom Pedro II e Joaquim Nabuco, até camadas populares da cidade) e vendia suas imagens a preços extremamente baixos. Seu ateliê ficava localizado logo em frente à Igreja do Rosário, na Rua da Imperatriz, local bastante frequentado por escravos, seus principais objetos fotográficos. A grande diferença é que Militão registrava-os como cidadãos comuns e não em condições escravistas.

Suas preocupações com o estúdio eram mais produtivas – em querer registrar tudo quanto fosse possível – que financeiras. Por estas características de imagens não ensaiadas é que Militão é considerado o primeiro fotojornalista brasileiro, além dos seus registros frequentes que apontam o crescimento do meio urbano.

Mas, devido a problemas comerciais e a insatisfações com o ateliê, Militão resolveu encerrar as atividades do seu estabelecimento, terminando por vendê-lo em 1885. Depois de sua viagem à Europa resolveu montar e publicar o livro Álbum Comparativo, possivelmente influenciado pelos postais e álbuns europeus.

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