Muito antes dos drones, um farmacêutico alemão teve a ideia de pôr uma câmera no peito de uma pomba. Julius Neubronner, de Kronberg, perto de Frankfurt, inventou em 1907 uma câmera minúscula, de cerca de 75 gramas, que disparava sozinha enquanto a ave voava. O resultado foram algumas das fotografias aéreas mais curiosas da história, com direito a ponta de asa aparecendo no canto da imagem.

De onde veio a ideia
Neubronner vinha de uma família de farmacêuticos e, desde 1903, usava pombos-correio para trocar receitas e remédios urgentes com um sanatório na cidade vizinha. Era um sistema rápido e barato. A fotografia entrou como hobby: ele era fotógrafo amador apaixonado e, um dia, juntou as duas coisas.
A câmera ia presa ao peito da pomba por um arnês de couro e alumínio e tinha um mecanismo que disparava a foto depois de um tempo programado. O fotógrafo não escolhia o enquadramento, nem o momento. Quem escolhia era o voo.

A patente recusada
Quando Neubronner pediu a patente, o escritório alemão recusou: segundo os técnicos, uma pomba não teria como carregar 75 gramas. Ele só conseguiu a patente em dezembro de 1908, depois de apresentar fotos autenticadas feitas pelas aves.
As fotos que as pombas fizeram
A invenção ficou famosa em 1909, quando Neubronner levou as pombas a duas grandes exposições na Alemanha, uma de fotografia em Dresden e outra de aviação em Frankfurt. O público via as aves chegarem com a câmera no peito, e as fotos aéreas que elas traziam eram transformadas em cartões-postais vendidos ali mesmo.


O exército alemão se interessou pela ideia como forma de espionar o inimigo, e houve testes na época da Primeira Guerra Mundial. Mas os aviões evoluíram rápido, e a fotografia aérea feita por pilotos tornou as pombas obsoletas para esse fim.
A fotografia aérea antes e depois das pombas
Neubronner não fez a primeira foto aérea. Esse título vai para o francês Nadar, que fotografou Paris de um balão em 1858, numa imagem que se perdeu. A foto aérea mais antiga que ainda existe é de Boston, feita de balão por James Wallace Black em 1860. O que Neubronner trouxe foi outra coisa: uma câmera leve e automática, que voava sem ninguém atrás dela.
E a ideia não morreu. Nos anos 1970, a agência de inteligência americana, a CIA, também testou câmeras em pombos, segundo documentos que ela mesma tornou públicos em 2019.
O primeiro drone fotográfico tinha penas, comia milho e voltava sozinho para casa.
O que me encanta nessa história é o quanto ela antecipa a fotografia de hoje: câmeras pequenas, automáticas, que registram o mundo de pontos de vista impossíveis para nós. As pombas de Neubronner são as avós das câmeras de drone, das câmeras de ação e até dos satélites. Se você gosta desse tipo de história, veja as outras curiosidades sobre a fotografia aqui do blog.

