Objetiva é o conjunto de lentes que fica na frente da câmera e forma a imagem no sensor (ou no filme). No dia a dia, todo mundo chama de “lente”, mas uma objetiva moderna tem de cinco a mais de vinte lentes de vidro dentro dela, cada uma corrigindo um defeito da outra. É ela que decide o quanto da cena entra na foto, o quanto de luz passa e o que fica nítido ou desfocado.

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Por que se chama “objetiva”
O nome vem dos instrumentos ópticos antigos, como microscópios e lunetas. Neles há duas partes: a ocular, que fica junto do olho, e a objetiva, que fica voltada para o objeto observado. Na câmera, a lente da frente cumpre o papel da objetiva, e o nome ficou. Não tem nada a ver com “objetividade”, embora a coincidência seja bonita para um aparelho que, por muito tempo, foi visto como registro fiel do mundo.
As primeiras objetivas fotográficas foram feitas pelo óptico parisiense Charles Chevalier, para as experiências de Niépce e para a câmera do daguerreótipo, em 1839.
Distância focal e ângulo de visão
A distância focal, medida em milímetros, é o número mais importante de uma objetiva. Quanto menor, mais larga é a cena que cabe na foto; quanto maior, mais estreito o recorte e mais “perto” parecem as coisas distantes. A tabela mostra o ângulo de visão (na diagonal) de cada distância focal numa câmera de sensor full frame, do tamanho do filme de 35 mm:
| Distância focal | Ângulo de visão | Uso típico |
|---|---|---|
| 8 a 15 mm (olho de peixe) | até 180° | Efeito, espaços apertados, céu inteiro |
| 14 a 24 mm (grande-angular) | 114° a 84° | Paisagem, arquitetura, interiores |
| 35 mm | 63° | Rua, documental, cotidiano |
| 50 mm (normal) | 47° | Uso geral, retrato de meio corpo |
| 85 a 135 mm | 28° a 18° | Retrato |
| 200 mm | 12° | Esporte, eventos, detalhes |
| 400 a 600 mm (superteleobjetiva) | 6° a 4° | Vida selvagem, esporte de longe |


O outro número escrito na objetiva é a abertura máxima (f/1.8, f/2.8, f/4…). Quanto menor o número, mais luz a objetiva deixa passar e mais fácil é desfocar o fundo. Explico tudo sobre isso no post sobre diafragma na fotografia.
Tipos de objetiva

Fixa e zoom
A objetiva fixa tem uma distância focal só (35 mm, 50 mm, 85 mm). Costuma ser mais leve, mais luminosa e mais nítida pelo preço. A zoom varia a distância focal (24-70 mm, 70-200 mm, 18-55 mm) e troca um pouco de luminosidade e de peso pela comodidade de não trocar de lente. Zooms profissionais são excelentes; os de entrada costumam ser mais escuros (f/3.5 a f/5.6), o que pesa em lugares com pouca luz.

Grande-angular e olho de peixe
Abaixo de uns 35 mm. Cabe muita coisa na foto e o que está perto parece bem maior do que o que está longe, o que dá profundidade e drama. Nas bordas, linhas retas podem curvar e rostos se deformam, por isso não é a melhor escolha para retrato de perto. O olho de peixe leva isso ao extremo: até 180 graus, com linhas retas virando curvas de propósito.

Teleobjetiva
Acima de uns 85 mm. Aproxima o que está longe e recorta um pedaço pequeno da cena. As de 85 a 135 mm são as clássicas de retrato; as de 300 a 600 mm, de esporte e de vida selvagem, são grandes, pesadas e caras, e quase sempre pedem tripé ou monopé.

Macro
Feita para focar muito perto e reproduzir o objeto no sensor em tamanho real (ampliação 1:1) ou quase. As mais comuns ficam entre 60 e 105 mm. Quanto maior a distância focal da macro, mais longe você pode ficar do inseto ou da flor, o que ajuda a não espantar o bicho e a não fazer sombra sobre ele. Um tubo de extensão entre a câmera e uma objetiva comum é a forma barata de experimentar.

Tilt-shift
Uma objetiva que se inclina e se desloca em relação à câmera, para corrigir a perspectiva de prédios ou mudar o plano de foco. É dela que vem o famoso efeito de “maquete”. Conto como funciona no post sobre tilt-shift.
O mito da distorção da teleobjetiva
Quem muda a perspectiva é você, não a lente
Diz-se que a teleobjetiva “achata” a cena e a grande-angular “estica”. Na verdade, a perspectiva depende só de onde a câmera está. Se você fotografar da mesma posição com uma grande-angular e depois recortar o centro da imagem, vai obter a mesma perspectiva da teleobjetiva. O que muda é que, com uma tele, você fica longe do assunto, e a distância é que aproxima visualmente o fundo. Com uma grande-angular, você chega perto, e a proximidade é que aumenta o nariz no retrato.
Entender isso muda a forma de fotografar. A pergunta deixa de ser “qual lente uso?” e vira “de onde quero ver isso?”. Escolhido o ponto de vista, a objetiva só decide quanto da cena vai caber.
E o celular?
O celular também tem objetivas, só que minúsculas, e normalmente várias: uma grande-angular principal, uma ultra-angular e, em alguns modelos, uma teleobjetiva. Como o sensor é pequeno, a distância focal real é de poucos milímetros, e os fabricantes informam o “equivalente” em full frame: a câmera principal da maioria dos celulares equivale a algo entre 24 e 28 mm. É por isso que a foto de celular parece tão larga, e por que retrato de perto com ela costuma deformar o rosto.
Qual objetiva comprar primeiro
A minha opinião: depois do zoom que vem com a câmera, a primeira compra deveria ser uma fixa de 50 mm f/1.8 (ou de 35 mm, numa câmera de sensor menor). É barata, leve, deixa entrar muita luz e obriga você a andar para enquadrar, o que ensina mais composição do que qualquer curso. Escrevi um post inteiro sobre as razões para ter uma lente 50 mm.
A melhor objetiva para aprender é a que não deixa você ficar parado.
O que eu olharia na compra: a montagem (encaixe) certa para a sua câmera, a abertura máxima e se há estabilização, que ajuda em velocidades baixas. E, antes de trocar de objetiva, vale saber cuidar bem das que você já tem.
A clássica 50 mm luminosa e barata para câmeras Canon com encaixe EF (DSLR). Ótima primeira objetiva fixa.
A mesma ideia para as câmeras mirrorless Canon com encaixe RF. Compacta e luminosa.
Como associada da Amazon, recebo por compras qualificadas.
