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Fotografia minimalista: o que é, como fazer e fotógrafos para conhecer

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A fotografia minimalista é a que diz muito com quase nada: um assunto, muito espaço vazio em volta e poucas cores. Uma árvore sozinha num campo de neve, uma pessoa pequena num muro enorme, o horizonte do mar sem mais nada. Parece fácil, e é justamente por isso que é difícil. Quando há pouco na foto, cada detalhe pesa, e qualquer erro aparece.

Fotografia minimalista de um gato num cenário todo amarelo, por Marian Gabriel Constantin
Foto: Marian Gabriel Constantin.
Conteúdo deste post
  1. De onde vem o minimalismo
  2. O que faz uma foto ser minimalista
  3. Como fazer fotos minimalistas
  4. Fotógrafos para conhecer
  5. Inspiração

De onde vem o minimalismo

O minimalismo como movimento nasceu nas artes plásticas em Nova York, entre o fim dos anos 1950 e os anos 1960, com artistas como Donald Judd, Frank Stella e Carl Andre. Era uma reação ao expressionismo abstrato, com suas pinceladas carregadas de emoção: em vez disso, formas geométricas simples, poucas cores, repetição. Daí a ideia passou para a música, a arquitetura e o design, e ganhou frases que todo mundo conhece:

Menos é mais.

Ludwig Mies van der Rohe, arquiteto

Menos, mas melhor.

Dieter Rams, designer

Na fotografia há uma diferença importante. O pintor e o designer começam de uma tela em branco e escolhem o que pôr. O fotógrafo começa de um mundo cheio de coisas e precisa escolher o que tirar. Fotografia minimalista é, antes de tudo, a arte de excluir.

O que faz uma foto ser minimalista

  • Um assunto só, ou muito poucos, sem nada disputando a atenção.
  • Espaço negativo: grandes áreas vazias (céu, água, parede, neve) que dão respiro e fazem o assunto parecer ainda mais sozinho.
  • Cores contidas: uma ou duas cores, ou preto e branco.
  • Formas e linhas limpas: horizontes retos, geometrias simples, sombras bem desenhadas.
Fotografia minimalista de barcos isolados num lago calmo em tons de azul, rosa e violeta
Barcos isolados num lago calmo. Foto: John Mcsporran.

Minimalista não é vazio

Uma foto com pouca coisa e nenhuma intenção é só uma foto vazia. A minimalista tem tensão: o assunto pequeno puxa o olho, o espaço em volta cria silêncio, solidão, calma ou estranhamento. O teste é simples: se você cobrir o assunto com o dedo, a foto perde o sentido? Se perde, ela é minimalista. Se não muda nada, faltou assunto.

Como fazer fotos minimalistas

  1. Procure fundos simples antes do assunto. Céu limpo, parede pintada, água parada, areia, neblina. Depois espere alguém ou algo entrar nesse cenário.
  2. Mude de lugar, não de lente. Abaixar a câmera para pegar só céu, ou subir para pegar só chão, elimina mais distrações do que qualquer zoom.
  3. Deixe o assunto pequeno e fora do centro. Um terço ou menos do quadro, num canto, cria o desequilíbrio que prende o olhar.
  4. Controle as cores. Se a cena tem cores demais, experimente o preto e branco ou espere a luz do fim do dia, que unifica os tons.
  5. Exponha pelo claro. Em céus e paredes claras, a câmera tende a escurecer a cena. Compense um pouco para cima (+0,7 ou +1) para o branco sair branco e não cinza.
  6. Edite com contenção. Recortar para limpar a borda, ajustar o contraste e unificar a cor costumam bastar. Apagar elementos inteiros é possível, mas aí a foto deixa de ser um encontro com o mundo e vira construção, o que é outra conversa.

O celular é uma ótima ferramenta para isso: a grade na tela ajuda a posicionar o assunto, e a câmera está sempre à mão quando a cena simples aparece, quase sempre por acaso.

Fotografia minimalista de arquitetura com linhas e formas limpas, por Adrianna Calvo
Arquitetura minimalista. Foto: Adrianna Calvo.

Fotógrafos para conhecer

  • Michael Kenna: paisagens em preto e branco com exposições longas, muitas vezes ao amanhecer ou à noite, em que a água e o céu viram superfícies lisas.
  • Hiroshi Sugimoto: a série Seascapes, iniciada em 1980, mostra só o mar e o céu, divididos pela linha do horizonte no meio do quadro, em lugares diferentes do mundo.
  • Andreas Gursky: autor de Rhein II, uma foto do rio Reno reduzida a faixas de grama, água e céu, que já foi a fotografia mais cara do mundo.
  • Outros nomes: Grant Hamilton, Hans Hiltermann e Mark Meyer.
Fotografia minimalista em preto e branco de Michael Kenna, com avião, nuvens e uma pedra ao fundo
Foto: Michael Kenna.

Inspiração

Escolhi estas imagens para mostrar como o minimalismo funciona em temas muito diferentes: retrato, arquitetura, paisagem, natureza-morta.

Num mundo que fotografa tudo, escolher o que deixar de fora virou o gesto mais raro.

Confesso que já tentei muitas vezes e ainda não fiz uma foto minimalista que tenha coragem de publicar aqui. É um estilo que exige paciência de esperar a cena certa e coragem de deixar a maior parte do quadro “vazia”. Mas é o exercício que mais me ensinou a olhar. Se você fizer uma, conte nos comentários como foi.

Para quem quer ver outro caminho, oposto e complementar, leia sobre a fotografia naturalista e o pictorialismo. E o vídeo abaixo (em inglês, com legendas automáticas) traz mais exemplos.

Harwood Podcast, Photography Guild 11: fotografia minimalista (em inglês).

4 comentários em “Fotografia minimalista: o que é, como fazer e fotógrafos para conhecer”

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