O efeito Droste é a imagem que contém a si mesma: uma foto dentro da foto, dentro da foto, que parece continuar para sempre, como quando colocamos dois espelhos um de frente para o outro. Em português, a ideia também é chamada pelo termo francês mise en abyme (“posto no abismo”). É um dos efeitos mais divertidos de fazer, e dá para conseguir com uma impressora, um porta-retratos e um pouco de paciência.

De onde vem o nome
Droste é uma marca holandesa de chocolate. Por volta de 1904, as latas de chocolate em pó da marca passaram a trazer a ilustração de uma enfermeira segurando uma bandeja com uma xícara e… uma lata de Droste, com a mesma enfermeira, segurando a mesma lata. A imagem ficou tão famosa que o nome da marca virou o nome do efeito.
O termo mise en abyme é mais antigo e mais amplo. Foi usado pelo escritor francês André Gide, em 1893, para falar de obras que contêm uma miniatura de si mesmas, como uma peça de teatro dentro de outra. Vale para literatura, cinema, pintura e fotografia. Um exemplo clássico na pintura é As Meninas (1656), de Diego Velázquez, em que um espelho no fundo da sala reflete quem está fora do quadro, e o próprio pintor aparece pintando.

O buraco no meio de Escher
Em 1956, o artista holandês M. C. Escher fez Galeria de Gravuras, em que um rapaz olha uma gravura de uma cidade que se curva e contém a própria galeria onde ele está. Escher não conseguiu fechar o centro da imagem e deixou ali uma mancha branca, com a assinatura. Quase cinquenta anos depois, em 2003, o matemático Hendrik Lenstra e sua equipe, na Universidade de Leiden, mostraram que a imagem segue uma estrutura matemática precisa e conseguiram completar o centro. O efeito Droste é, literalmente, matemática que se vê.
Como fazer o efeito Droste na fotografia
Do jeito físico, com uma foto impressa
- Com a câmera num tripé, fotografe a pessoa segurando uma moldura vazia (ou um porta-retratos sem vidro) diante do corpo.
- Imprima essa foto num tamanho que caiba na moldura.
- Coloque a foto impressa na moldura e fotografe a pessoa de novo, na mesma posição e com a mesma luz.
- Repita algumas vezes. Cada rodada acrescenta um nível.
Na prática, três ou quatro níveis já bastam: depois disso, as cópias ficam pequenas demais para o olho distinguir, e o cérebro completa o resto sozinho, imaginando o infinito.
Do jeito digital
Faça a foto com a moldura vazia, copie a imagem inteira, reduza a cópia e encaixe dentro da moldura. Repita com a nova imagem até ter os níveis que quiser. Para o efeito em espiral, como o de Escher, existem filtros e aplicativos específicos com o nome “Droste”.
Com espelhos
Dois espelhos paralelos, um de frente para o outro, criam o túnel infinito sem edição nenhuma. O truque é posicionar a câmera de forma que ela não apareça no reflexo, um pouco de lado, e fotografar com o diafragma mais fechado para manter os reflexos distantes nítidos.
Exemplos de efeito Droste
Reuni estes exemplos de fotógrafos que publicavam no Flickr. Muitos foram feitos com edição, e nem por isso são menos engenhosos. Os créditos levam aos perfis originais.
A foto dentro da foto lembra que toda imagem é um recorte de outra coisa.
Gosto do efeito Droste porque ele faz, de forma divertida, uma pergunta séria: onde termina a imagem e onde começa o mundo? Toda foto é uma moldura posta sobre a realidade. O Droste só torna essa moldura visível, e depois a repete até o olho desistir. Para outras brincadeiras com a percepção, veja como o tilt-shift transforma cidades em maquetes, e a lista de curiosidades sobre a fotografia.













